Venda de carros novos recua e de usados aumenta Entre janeiro e fevereiro, Estado emplacou 13,3% menos veículos do que em igual período do ano passado.

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Venda de carros novos recua e de usados aumenta

Entre janeiro e fevereiro, Estado emplacou 13,3% menos veículos do que em igual período do ano passado

Influenciado pelos efeitos da pandemia na economia do país, o mercado de carros ganhou nova dinâmica no Rio Grande do Sul na largada de 2021. Enquanto as vendas de automóveis e comerciais leves novos apresenta queda de 13,3%, a comercialização desses veículos seminovos e usados apresenta crescimento de 5,8% no primeiro bimestre deste ano frente a igual período de 2020.

Dados da Fenabrave/Sincodiv-RS, entidade que representa concessionárias e distribuidoras, indicam que o Estado emplacou 16,9 mil automóveis de passeio e comerciais leves zero-quilômetro em janeiro e fevereiro de 2021. Nos mesmos meses de 2020, ainda sem o cenário de incertezas causado pela pandemia, foram 19,5 mil.

Por outro lado, a comercialização de veículos de passeio e comerciais leves seminovos e usados ganhou impulso. Segundo a Fenauto/Agenciauto-RS, que congrega as revendas, no Estado foram negociadas 132,5 mil unidades entre janeiro e fevereiro. Em igual período do ano passado, haviam sido 125,2 mil.

O carro novo é quase uma commodity, por ter muitos componentes importados. O dólar disparou, e o novo ficou mais caro. E o brasileiro vem perdendo renda, ficou mais pobre durante a pandemia. O sonho do carro próprio segue, mas o consumidor está olhando mais para o usado — avalia Raphael Galante, economista e diretor da Oikonomia Consultoria Automotiva.

Presidente da Fenabrave/Sincodiv-RS, Paulo Siqueira avalia que o mercado de novos entrou em “bandeira vermelha”. O agravamento da pandemia, com mais restrições para abertura das empresas, o fechamento das plantas da Ford no país anunciado em janeiro e a dificuldade de obtenção de matéria-prima pelas fábricas afetam o volume de vendas neste momento e devem ainda se refletir nos negócios dos próximos meses.

Por causa da falta de insumos, a GM suspendeu a fabricação de veículos até maio. Apenas o Onix, produzido em Gravataí, reponde por cerca de 8% do mercado nacional de novos veículos no país.

— A bandeira preta em março e a paralisação da GM certamente vão afetar o mercado de uma forma mais aguda, mas também vemos a possibilidade de recuperação rápida na frente. O segundo semestre, naturalmente, traz perspectiva melhor — diz Siqueira, salientando que o avanço da vacinação poderá reaquecer a economia e ajudar o setor.

Já no mercado de usados, a diminuição de margens fez com que os preços dos veículos não tivessem reajustes expressivos nos últimos meses, segundo Rodrigo Dotto, presidente da Fenauto/Agenciauto-RS. Além disso, a baixa nos juros, puxada pela queda da taxa Selic a 2% ao ano, é vista como fator que ajudou a impulsionar as vendas na largada do ano.

— A compra do seminovo passou a ficar mais atraente. Hoje, o consumidor consegue taxa muito semelhante para comprar um novo ou um seminovo — aponta.

O dirigente reconhece que o fechamento das revendas neste mês, atendendo aos critérios da bandeira preta, pode impactar o volume de vendas. Ainda assim, a expectativa de Dotto é pela manutenção do ritmo de crescimento ao longo de 2020.

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