Brasil: País de políticos bandidos….

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Prefeito foi detido em ação que apura esquema de corrupção na gestão municipal. Investigações foram iniciadas no ano passado e partiram da colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy.

 

A operação conjunta do Ministério Público do RJ e da Polícia Civil que apura um esquema de corrupção na Prefeitura do Rio prendeu na manhã desta terça-feira (22) seis pessoas, entre elas o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), e o empresário Rafael Alves, apontado como operador do pagamento de propina.

 

A ação é um desdobramento da Operação Hades, que foi deflagrada em março e investiga um suposto “QG da Propina” na Prefeitura do Rio. No esquema, de acordo com as apurações do MP, empresários pagavam para ter acesso a contratos e para receber valores que eram devidos pela gestão municipal.

 

As investigações, iniciadas no ano passado, partiram da colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy. Ele foi preso na Operação Câmbio, Desligo, um desdobramento da Lava Jato no Rio.

 

No depoimento, Mizrahy chamou um escritório da prefeitura de QG da Propina e disse que o operador do esquema era o empresário Rafael Alves. Ele também afirmou, segundo os promotores, “que Rafael Alves se referia ao prefeito Marcelo Crivella como 01 (zero um) e que, em determinada transação financeira realizada em março de 2018, restou explícito em mensagens trocadas pelo aplicativo Whatsapp que certa quantia em dinheiro seria destinada ao prefeito”.

 

Mizrahy citou ainda que Rafael Alves arrecadou dinheiro de empresas para a campanha de Crivella, em 2016.

 

A investigação analisou quase 2 mil mensagens trocadas entre Crivella e Rafael Alves e mostrou que os dois são muito próximos — marcavam reuniões de madrugada ou caminhadas bem cedo.

 

Os mandados desta terça foram cumpridos pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) da Polícia Civil e do Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (Gaocrim), do MPRJ. A decisão é da desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita.

 

Além de Crivella, foram presos:

 

Rafael Alves, empresário apontado como operador do esquema;

Fernando Moraes, delegado aposentado;

Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha de Crivella;

Adenor Gonçalves dos Santos, empresário;

e Cristiano Stockler Campos, empresário.

Na decisão que acarretou na prisão dos denunciados, a desembargadora diz que a troca de vantagens e o recebimento de propinas por parte dos membros do citado grupo criminoso se estendeu pelas mais variadas pastas, atingindo cifras milionárias.

 

O MPRJ denunciou ao todo 26 pessoas – incluindo Crivella e Alves – pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva.

 

Prisão de Crivela

Crivella foi preso em casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, por volta das 6h. Ele foi levado diretamente para a Cidade da Polícia, na Zona Norte. Antes de entrar na Delegacia Fazendária, ele disse que foi o prefeito que mais combateu a corrupção e que espera por “justiça”.

 

“Lutei contra o pedágio ilegal, tirei recursos do carnaval, negociei o VLT, fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro”, disse Crivella. Questionado sobre sua expectativa a partir de sua prisão, o prefeito se restringiu a responder: “justiça”.

 

A desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, que autorizou a prisão, determinou o afastamento do prefeito, que encerraria o mandato daqui a 9 dias. Quem assume interinamente é o vereador Jorge Felippe (DEM), presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Eduardo Paes toma posse no dia 1º de janeiro.

 

‘Sem cargo na prefeitura’

Segundo as investigações, o empresário Rafael Alves tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos na campanha de 2016. Mesmo sem nenhum cargo na prefeitura, Alves dava expediente na Cidade das Artes, numa sala ao lado do escritório do irmão, Marcelo Alves, que foi presidente da Riotur.

 

Em algumas mensagens interceptadas durante as investigações, Rafael Alves chegou a dizer que fez o irmão se tornar presidente da Riotur. Além disso, afirmou ter a “caneta”, sugerindo dar as ordens na prefeitura do Rio, nomeando quem quisesse para cargos e escolhendo as empresas que iriam fazer contratos com o município.

 

Marcelo Alves foi exonerado da Riotur dias depois da operação, em 25 de março.

 

Em seu depoimento, doleiro Sérgio Mizrahy afirmou que empresas que tinham interesse em fechar contratos ou que tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.

 

As investigações mostram que Rafael Alves também costumava acionar Crivella para pedir favores. Um deles chamou a atenção do Ministério Público: o empresário pediu ao prefeito que impedisse a demolição da casa do senador Romário.

 

‘Vértice da organização criminosa’

 

No documento, os promotores citam que Crivella é o “vértice da organização criminosa” e que Rafael Alves, Mauro Macedo (ex-tesoureiro da campanha de Crivella) e Eduardo Benedito Lopes compõem o “primeiro escalão” da quadrilha, mesmo sem exercerem qualquer cargo oficial na Prefeitura”.

 

No entanto, ao autorizar a Operação Hades, em setembro, desembargadora Rosa Helena Guita, citou uma frase que traduz o poder de Rafael Alves sobre o prefeito Crivella: “A subserviência do prefeito a Rafael Alves é assustadora”.

 

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